O auditório do Centro de Eventos Fenadoce recebeu, nesta sexta-feira (31), uma roda de conversa que colocou as doceiras no centro da narrativa. Intitulada de “Doceiras: Mãos que Constróem o Patrimônio”, a atividade é uma realização de Letícia Conter, 1ª Prenda da 26ª Região Tradicionalista, representante do CTG Sinuelo do Sul.
Todos os anos, o Movimento Tradicionalista Gaúcho define uma temática. Em 2026, o tema escolhido foi o combate à violência contra a mulher. Assim, os CTGs estão abordando a temática de diferentes formas, diretamente ou indiretamente. “Dessa vez, optamos por uma proposta diferente: destacar o protagonismo feminino, pois entendemos que essa é uma forma importante de tratar a temática”, explica Letícia.
Segundo a idealizadora, a ideia principal era colocar as mulheres como figura central no “fazer doceiro”, posição que elas já ocupam. “Por muito tempo, houve uma invisibilização da mulher na sociedade e, agora, buscamos resgatar essa figura feminina e a importância dela na nossa história. Em Pelotas, conseguimos perceber muito bem essa relevância”, afirma ela.
Dessa forma, ela reuniu as proprietárias de docerias conhecidas de Pelotas para compartilharem um pouco de suas trajetórias, suas inspirações e suas experiências no setor, colocando-as como protagonistas.
Simone Bica, proprietária da Dona Xica Doces de Pelotas, contou que não veio de uma família tradicionalmente doceira. Ela entrou nesse universo após o casamento, quando passou a conviver com a sogra, que já trabalhava com doces tradicionais de Pelotas. Inicialmente não imaginava que seguiria esse caminho, mas acabou se apaixonando pela atividade. Hoje, há cerca de duas décadas, trabalha para preservar a cultura e a tradição doceira.
Maria Helena Jeske, sócia-fundadora da Imperatriz Doces Finos, relatou que também não tinha origem em uma família de doceiros. Criou sua própria trajetória, conciliando a criação do filho e a construção do negócio. Há cerca de 30 anos atua na área, sempre buscando inovar sem perder a essência dos doces tradicionais. Ela destacou que vê sua missão como a de preservar esse legado e despertar nas novas gerações o interesse pela história e pela cultura dos doces de Pelotas.
Elaine Sturbelle, proprietária da Doces Santa Clara, contou que começou trabalhando em uma confeitaria, onde se encantou com o universo da doçaria. Depois, ela decidiu fazer cursos para aperfeiçoar as técnicas e passou a produzir seus próprios doces. Ainda, disse que a curiosidade e a vontade de aprender fizeram com que ampliasse seus conhecimentos, tornando a produção de doces sua profissão.
A 32ª edição da Fenadoce é apresentada pela Osirnet e conta com patrocínio master do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Os patrocinadores são Sicredi, Banrisul, Câmara Municipal de Pelotas e Caixa Econômica Federal. O evento tem apoio de Gelei, Grupo RBS e Grupo A Hora, além do apoio institucional da Prefeitura de Pelotas. A realização é da Câmara de Dirigentes Lojistas de Pelotas.
Foto: Rafael Takaki




